Gestão de estoques hospitalares: como o Complexo Hospitalar Samuel Libânio reduziu 74% dos estoques excedentes
Entre julho de 2025 e junho de 2026, o Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL), de Pouso Alegre (MG), reduziu em 74% o volume de estoques excedentes. No mesmo projeto, a cobertura de estoque caiu de 51 para 28 dias e o nível de serviço chegou a 99,6%. Ou seja, o hospital passou a operar com menos material parado e com abastecimento mais previsível para as áreas assistenciais.Cliente da GTPLAN desde janeiro de 2025, a instituição conduziu um projeto estruturado de transformação da cadeia de suprimentos, com a implantação do GTPLAN IA e a revisão dos processos de planejamento, compras, estoques e relacionamento com fornecedores.
O desafio: menos estoque parado, sem risco para a assistência
Em um hospital, a falta de um item não é apenas custo. Ela pode adiar um procedimento ou consumir horas da equipe em compra emergencial. Por isso, a reação natural diante da incerteza é comprar mais e guardar mais.Essa proteção, no entanto, tem preço. Estoque alto imobiliza capital, ocupa área física, aumenta a perda por validade e esconde falhas de planejamento. O CHSL queria equilibrar os dois lados, ou seja, reduzir excessos e capital imobilizado sem impactar o abastecimento das áreas assistenciais. Além disso, a instituição buscava elevar a maturidade dos processos de Supply Chain.
Como o projeto foi conduzido
O trabalho combinou implantação tecnológica e revisão de processos, com apoio e engajamento do time do hospital. Participaram Compras, Almoxarifado, Suprimentos, Gestão de Estoques e as próprias áreas assistenciais. Esse ponto importa, porque parâmetro de material sem leitura clínica é chute com aparência de número.
O GTPLAN IA entrou em oito frentes:
SIO/MRP: planejamento de materiais e ressuprimento
DRP: distribuição interna de materiais
Cotações e Contratos B2B: compras eletrônicas e gestão de acordos com fornecedores
OPME: gestão de órteses, próteses e materiais especiais
SRM: avaliação e desenvolvimento de fornecedores
VMI: estoque gerenciado pelo fornecedor
BI: indicadores consolidados em uma base única
Automação não diminui o papel do time de suprimentos
O avanço reforça a relevância dos profissionais envolvidos na operação. A automação de atividades operacionais não reduz o peso do fator humano. Ao contrário, ela exige mais capacidade analítica e mais conhecimento dos processos. A mudança, no fundo, é de foco: com o cálculo das necessidades automatizado, o time deixa de apagar incêndio e passa a decidir sobre exceções, políticas de estoque e desempenho de fornecedores.
O que outros hospitais podem tirar deste case
Sobre o Complexo Hospitalar Samuel Libânio
O CHSL é uma instituição universitária, privada e filantrópica mantida pela Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí (FUVS), com sede em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais. A instituição é referência regional em urgência e emergência, oferece serviços de média e alta complexidade e atua como hospital escola, com campo de estágio e pesquisa para cursos da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás). Além disso, mantém investimentos contínuos em inovação, tecnologia e qualificação de processos.
Conclusão
O case do Complexo Hospitalar Samuel Libânio mostra que gestão de estoques hospitalares não é escolha entre economizar e atender bem. Com parâmetros calculados por item, processos integrados de compras e distribuição e indicadores compartilhados entre as áreas, o hospital reduziu 74% dos estoques excedentes, cortou a cobertura de 51 para 28 dias e ainda elevou o nível de serviço a 99,6%.
Se a sua operação convive com estoque alto e ruptura ao mesmo tempo, o problema raramente está no volume comprado. Está no parâmetro. Vale começar por uma pergunta simples: quantos dias de cobertura a sua instituição tem hoje, item a item, e quanto desse saldo é realmente necessário?





